“Jogaram ele no chão feito um cachorro e foram embora”. Assim a dona de casa Ângela Maria Ferreira descreveu a maneira como foi morto o companheiro dela, Amaurílio de Almeida, 33 anos, fugitivo da Penitenciária Agroindustrial São João, executado ao tentar roubar um ônibus com uma arma de brinquedo, na noite de domingo, no bairro da Cabanga, área central do Recife.
Amaurílio tinha quatro condenações por assalto. Ele teria sido surpreendido por um passageiro armado que o matou com três tiros. Após atirar no ladrão, o passageiro e outras pessoas que estavam no coletivo teriam jogado o corpo do presidiário na rua e seguido viagem.
De acordo com o delegado Rafael Cruz, da Força-Tarefa de Homicídios, testemunhas afirmaram que o ônibus parou próximo à subida da Ponte Paulo Guerra e o corpo do assaltante foi deixado na canaleta do lado direito da via.“Ao lado do corpo foi encontrada uma arma de brinquedo”, frisou o delegado.
Amaurílio foi assassinado a menos de um quilômetro da casa da mãe, localizada na Vila Nova Cabanga. A violência com que ele foi atirado do ônibus foi tanta que o braço direito quebrou.
A última condenação do presidiário ocorreu em 2005, quando ele pegou cinco anos de prisão por ter assaltado uma mulher e a filha dela na praia de Boa Viagem. Ele e um adolescente teriam ameaçado as vítimas fingindo estar armados, mas só conseguiram roubar R$ 9 e ainda foram presos em flagrante por policiais militares que passavam pela Avenida Boa Viagem. Na sentença, há referências de condenações anteriores do assaltante em 1994, 2000 e 2004. Todas por roubo.
* A foto é de Hélia Scheppa/JC Imagem
DO JC,
A violência urbana no Recife mais uma vez deu provas de que não escolhe dia, hora nem local para fazer vítimas. Às 13h30 de ontem, na Rua da Saudade, Centro do Recife, o sapateiro Juciere Pereira de Oliveira, 38 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça. Ele estava no seu local de trabalho, a calçada da rua localizada ao lado do Parque Treze de Maio, onde há mais de 15 anos atendia os clientes. Além de sapateiro, era flanelinha.
De acordo com Ednaldo Rocha Ramos, 38, outro flanelinha que atua na mesma rua e que convivia com Pereira há mais de 10 anos, o disparo ocorreu dentro do parque. “Estávamos sentados próximos a ele na calçada, eu, minha esposa e outro rapaz, quando um homem se aproximou, saiu do Treze de Maio e começou a atirar por trás dele. Todos corremos porque achamos que os tiros poderiam nos atingir. Foi muito rápido e não deu para ver quem foi”, relatou.
Os policiais que fazem a segurança da Assembléia Legislativa do Estado (Alepe), que fica a cerca de 50 metros da área do crime, ouviram os tiros e correram para o local. Lá, isolaram a área onde o corpo estava e acionaram a equipe responsável pelo setor, os PMs do 16º Batalhão. Baseada em informações de testemunhas que estavam na rua no momento do crime, a polícia realizou buscas pelo parque e imediações e abordou rapazes, à procura do assassino. Mas não obteve sucesso.
Segundo o capitão Linaldo Tavares, da Assembléia, a PM recebeu informações que denunciaram mau comportamento da vítima na região. “O pessoal nos contou que, às vezes, quando ele bebia, criava problemas por aqui.” Uma funcionária da Alepe, que preferiu não se identificar, afirmou que o sapateiro foi agressivo com ela em uma ocasião. “Ele era bastante mal-encarado e vivia bêbado. Arrumava confusão com as pessoas porque exigia pagamento de quem estacionasse o carro nesse lado da rua. Uma vez chegou a bater no meu carro e disse que eu não iria estacionar de jeito nenhum aqui. Assustada, contei aos PMs da Assembléia, que precisaram conversar com ele para que o gesto não se repetisse.”
A versão da única filha de Juciere Pereira, Beatriz Gomes, 15, é diferente. De acordo com a jovem, o sapateiro era um homem tranqüilo. “Meu pai vivia em casa e não arrumava confusão com ninguém. Ele só bebia em casa. Era um ótimo pai. Eu e minha mãe nunca soubemos de nada de errado dele.”
O crime vai ser investigado pela Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
* A foto é de Alexandro Auler/JC Imagem
Do G1
Chefes geralmente torcem o nariz quando ferramentas de mensagens instantâneas são instaladas nos computadores das empresas. Mas para a polícia de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, o que é considerado perda de produtividade em algumas empresas se transformou em um importante instrumento de combate ao crime.
Desde março, policiais do 26º Batalhão da Brigada Militar de Cachoeirinha instalaram um programa de bate-papo online e ficam em contato com 30 pequenos e médios comerciantes do município. Eles avisam os policiais quando há tentativa de assalto nas lojas ou mesmo quando presenciam roubos a pedestres.
O capitão Eduardo Ramos, de 36 anos, explicou ao G1 que, de março a setembro, o índice de roubo ao comércio diminui 51% em comparação ao mesmo período de 2007. “Resolvemos usar a tecnologia em prol da segurança pública. Conversamos com alguns segmentos da sociedade e, então, surgiu a idéia de permitir a comunicação direta dos comerciantes que possuem internet e computadores em seus estabelecimentos com a Brigada Militar”, disse Ramos.
Segundo Ramos, a iniciativa é produtiva porque apenas comerciantes cadastrados no Sindicato do Comércio Varejista de Cachoeirinha (Sindilojas) podem adicionar a Brigada Militar como um contato. Como a participação é restrita, não há risco de a polícia receber trotes pelas mensagens instantâneas.
“Cerca de 70% das ligações para o 190 que nós recebemos são trotes. Já pelo computador, se a pessoa entra e pede ajuda, nós imediatamente mandamos uma equipe para o local”, afirmou.
Alguns comerciantes também instalam webcams. Em caso de assalto, os policiais observam o interior da loja via internet.
“Podemos alertar a equipe que está se deslocando para o local sobre a movimentação dos criminosos, descrevemos as características dos suspeitos e avisamos os agentes caso alguém esteja escondido ou armado”, disse Ramos.
De acordo com o capitão, a iniciativa deu tão certo que outras cidades do Rio Grande do Sul já estão implantando projetos similares.
O repórter fotográfico da Folha de Pernambuco Maurício Ferry registrou, na quarta-feira à tarde, o delírio coletivo diante da morte. Crianças, adultos, mulheres e idosos comemoraram o assassinato de Oscalton Holanda, na comunidade de Maranguape I, no município de Paulista. A vítima, um ex-presidiário, levou oito tiros e morreu no banheiro de uma escola. Na saída, a festa da comunidade. Coisas de Pernambuco.
* A foto foi gentilmente cedida pela editoria de fotografia do jornal Folha de Pernambuco.
Carlos, Valdebrando, Alexssandro, Edílson, Daniel, José, Carlos Danilo e ainda uma mulher não- identificada, encontrada morta em um engenho, em Ipojuca, e um homem não-identificado, executado a pauladas em Aguazinha, Olinda. Essas dez pessoas foram assassinadas no último dia de setembro, em Pernambuco. Nove na Região Metropolitana do Recife. Uma no Agreste. Com essas mortes, o total de homicídios anotados este ano (De janeiro a setembro) no Estado chegou a 3.390. No comparativo com o mesmo período de 2007 há uma redução de 81 casos, ou 2,3%. No entanto, quando se analisa o período do segundo ano do Pacto pela Vida (de maio a setembro), o resultado se inverte. Há um crescimento de 2,7% no número de homicídios e o pior, setembro aparece como o segundo mês seguido de alta nos índices.
A diferença de resultado quando se compara de janeiro a setembro e de maio a setembro (período do segundo ano do Pacto pela Vida) está no fato de que os três primeiros meses de 2007 anotaram números acima de 400 mortes. Isso faz com que o acumulado do ano passado (nos nove primeiros meses), seja maior do que o deste ano (em igual período).
Mesmo com todo o investimento que o Governo do Estado diz ter feito na área da Segurança Pública, 2008 já acumula quatro meses (abril, junho, agosto e setembro) com mais homicídios do que os períodos correspondentes no ano passado. Os dados sobre assassinatos foram fornecidos pela Agência Condepe/Fidem (janeiro a agosto) e pelo site contador de homicídios PEbodycount (www.pebodycount.com.br).
Sempre que é indagado sobre a estratégia usada para fezer o número de homicídios cair, comparando dados de 2008 com 2007, o governo do Estado afirma que o combate aos grupos de extermínio seria um dos motivos para a redução. No entanto, ao analisar os números de Caruaru, por exemplo, onde foi desarticulado um grupo de extermínio em abril de 2007, o que vemos é que houve na verdade crescimento.
De janeiro a agosto de 2007, Caruaru teve 107 homicídios. No mesmo período deste ano, esse total subiu para 119 casos. Um crescimento real na violência em uma cidade onde foi desarticulado um grupo de extermínio que as autoridades asseguraram que matava 200 pessoas por ano.
As causas e conseqüências do segundo mês seguido de alta nos homicídios em Pernambuco não mereceram comentários nem da Secretaria de Defesa Social, tampouco do gestor do Pacto pela Vida, o secretário de Planejamento, Geraldo Júlio. As assessorias da SDS e da Secretaria de Planejamento foram contactadas, mas não deram retorno.
Desde que o vice-governador, João Lyra Neto, assumiu a Secretaria de Saúde, há quatro meses, o gestor do Pacto pela Vida passou a ser o secretário de Planejamento, Geraldo Júlio.
No caso da Secretaria de Defesa Social, dados sobre grupos de extermínio foram solicitados por email e por telefone, desde a última segunda-feira, mas não houve resposta. Ontem, uma avaliação sobre o aumento dos homicídios foi pedida tanto por telefone, quanto por email.
Informações sobre a política de segurança do Estado vêm sendo sistematicamente sonegadas pelas secretarias há meses. O cientista político e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, Jorge Zaverucha, solicitou dados sobre o Pacto pela Vida desde o último mês de junho e nunca foi atendido.
A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco, e a Associação dos Oficiais da Polícia Militar também fizeram solicitações semelhantes e igualmente foram ignoradas.
* O gráfico que ilustra esse post foi feito por Carolina Soriano.
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